Marco histórico na pesca sustentável:
A Associação de Grandes Atuneiros Congeladores (AGAC) alcançou um novo marco no seu compromisso com a pesca sustentável ao obter a certificação do Marine Stewardship Council (MSC) para o stock ocidental de bonito do Atlântico (Katsuwonus pelamis). Trata-se do último stock desta espécie que estava por certificar no âmbito da sua frota e, simultaneamente, da primeira vez que uma pescaria obtém o Selo Azul para esta população específica.
Com esta certificação, a AGAC passa a contar com um total de onze stocks certificados dos treze que captura, o que corresponde a cerca de 330.000 toneladas de pesca anual realizadas por 45 embarcações. Os dois stocks restantes, atum-patudo do Atlântico e do Índico, encontram-se atualmente integrados no MSC Improvement Program, com o objetivo de atingir os padrões necessários para uma avaliação completa num prazo máximo de cinco anos.
A entidade auditora LRQA salientou vários fatores determinantes para a certificação desta pescaria. Entre eles, destaca-se o facto de os estudos científicos confirmarem que o stock se tem mantido consistentemente em bom estado, com níveis populacionais saudáveis e a atividade de pesca dentro de limites sustentáveis. Existe igualmente uma ampla base de informação científica sobre a abundância do recurso, a sua estrutura populacional, produtividade, composição da frota e variáveis ambientais. Em 2022, foi ainda realizada com sucesso uma avaliação do stock que incorporou dados essenciais sobre idade, crescimento, mortalidade e reprodução, adaptados às características biológicas da espécie.
No momento da avaliação, alguns elementos do quadro de gestão do stock encontravam-se ainda por definir. No entanto, em Novembro de 2025, a Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico (ICCAT) adotou um procedimento de gestão específico e estabeleceu um Total Admissível de Capturas (TAC) anual constante de 30.844 toneladas para o período de 2026 a 2028, reforçando assim as garantias de sustentabilidade a longo prazo.
As pescarias certificadas ao abrigo do programa MSC contribuem de forma significativa para a proteção e conservação do ecossistema marinho. Neste contexto, a AGAC tem promovido melhorias contínuas na gestão das suas pescarias, na redução dos impactos sobre outras espécies e habitats e na produção de maior evidência científica. Através do seu Código de Boas Práticas, a frota adotou uma abordagem proativa para mitigar os impactos sobre espécies em perigo, ameaçadas ou protegidas (PAP), como tubarões, mantas e tartarugas marinhas. Entre as medidas implementadas incluem-se o desenvolvimento e a utilização de técnicas para a correta manipulação e libertação de capturas acessórias, o uso de dispositivos de concentração de peixe (DCP) não emalhantes e a colaboração com a comunidade científica através da utilização de marcas satélite pop-up e estudos de comportamento que permitem avaliar a sobrevivência destas espécies após a libertação.
Com esta certificação, a AGAC reforça a sua posição de liderança na pesca sustentável de tunídeos e consolida o seu compromisso com a conservação dos oceanos e com o cumprimento dos mais exigentes padrões internacionais.
“Os nossos pescadores iniciaram um processo de melhoria e certificação das nossas práticas de pesca há mais de 15 anos. Hoje estamos muito próximos de ter a totalidade das nossas capturas certificadas como Padrão MSC, tendo já alcançado 94%, nos três principais oceanos geridos pelas quatro principais organizações regionais de pesca. Somos os primeiros interessados em manter as populações de atum em níveis ótimos de conservação e em demonstrar que a gestão das pescarias pela ICCAT está a ser eficaz”, afirmou Julio Morón, diretor-geral da AGAC.
Por seu lado, Alberto Martín, diretor do MSC Espanha e Portugal, destacou que “a obtenção da certificação de um novo stock é um marco que demonstra que a colaboração e a perseverança permitem transformar a pesca numa atividade sustentável. No MSC, queremos reconhecer o trabalho da AGAC e confiamos que este esforço e esta liderança sejam igualmente reconhecidos pelos mercados”.
Notas adicionais
O Marine Stewardship Council (MSC) é uma organização internacional sem fins lucrativos que estabelece normas reconhecidas a nível global para a pesca sustentável e para a cadeia de abastecimento de produtos do mar. As pescarias que participam no seu programa de certificação representam atualmente 20% de toda a captura marinha selvagem a nível mundial. Para mais informações, visite msc.org ou consulte as nossas redes sociais.