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Dia Mundial dos Oceanos: a sardinha, símbolo de Portugal, quadruplica a sua população desde 2015 e prova que o mar pode recuperar

COMUNICADO DE IMPRENSA 

Dia Mundial dos Oceanos: a sardinha, símbolo de Portugal, quadruplica a sua população desde 2015 e prova que o mar pode recuperar 

Ainda assim, quase quatro em cada dez portugueses (38%) acreditam que as populações de peixes nunca podem recuperar depois de sobre-exploradas 

A sardinha, uma das espécies mais emblemáticas de Portugal e protagonista das festas populares e das grelhas de verão, quadruplicou praticamente a sua população adulta desde 2015. O avanço, fruto de um plano de gestão conjunto em que os pescadores portugueses trabalharam lado a lado com os espanhóis segundo critérios científicos, consta do novo relatório do Marine Stewardship Council (MSC), Fishing for the Future (Pescar para o Futuro), publicado a 8 de junho. O dado contrasta de forma evidente com uma convicção muito difundida: quase quatro em cada dez portugueses (38%) pensam, erradamente, que uma população de peixes não pode recuperar uma vez sobre-explorada. 

É o que aponta um adiantamento de um estudo do MSC, organização internacional sem fins lucrativos titular do selo azul de pesca sustentável, cujos resultados completos serão divulgados em breve num comunicado de imprensa específico. Entre os portugueses inquiridos, apenas 33% sabem que as populações de peixes podem efetivamente recuperar, enquanto 28% admitem não saber. 

O retrato apresenta claro-escuros. Cerca de 85% dos portugueses sabem que o oceano cobre mais superfície do planeta do que a terra firme e 71% têm consciência de que existe hoje mais sobrepesca do que há 50 anos, um dos níveis de sensibilização mais altos da Europa. Persistem, no entanto, lacunas notórias: mais de metade (58%) não sabe de que oceano provém a maior parte do atum consumido no mundo, e 38% desconhecem que a zona mais profunda do oceano ultrapassa em profundidade a altura do Evereste. 

A preocupação social com o estado do oceano é elevada: as alterações climáticas, a poluição e o declínio das populações de peixes figuram entre as principais inquietações dos cidadãos. 

“O nosso trabalho com pescarias de todo o mundo demonstra que, apesar da dimensão do desafio, a recuperação é possível”, afirma Alberto Martín, diretor do MSC em Espanha e Portugal. “A sardinha ibérica é um exemplo que temos na nossa própria costa: com gestão baseada na ciência, colaboração e compromisso a longo prazo, os mares podem voltar a encher-se de vida. É uma mensagem de esperança, e precisamos que mais pessoas a ouçam e ajam em conformidade”. 

O relatório Fishing for the Future reúne outros casos que apontam na mesma direção. O atum-rabilho do Atlântico oriental, à beira do colapso no final do século XX, recuperou para os seus níveis mais altos desde a década de 1960 graças a um plano de reconstrução com regras rigorosas para os países que o capturam. A pescada, sobre-explorada e em declínio no início dos anos 90, recuperou e mantém-se em níveis saudáveis após a introdução de alterações na gestão, como o aumento da malhagem das redes. 

No prefácio do relatório, Manuel Barange, diretor de Pescas e Aquicultura da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), sublinha: “Os exemplos deste relatório mostram como é possível progredir em contextos distintos quando a ciência, o compromisso político e as partes interessadas trabalham de mãos dadas. A prioridade agora é consolidar e ampliar estes progressos, garantindo que os recursos das pescas continuem a sustentar ecossistemas, economias e gerações futuras”. 

Notas para as redações 

Sobre o MSC: O Marine Stewardship Council (MSC) é uma organização internacional sem fins lucrativos que estabelece padrões reconhecidos em todo o mundo para a pesca sustentável e a cadeia de fornecimento de produtos do mar. Pescarias que representam 20% das capturas marinhas selvagens do mundo participam no seu programa de certificação. Mais informação em msc.org. 

Sobre os dados: Os números sobre o conhecimento do oceano são um adiantamento de um estudo do MSC cujos resultados completos serão divulgados em breve num comunicado de imprensa específico. Amostra em Portugal: 802 pessoas. 

Contacto de imprensa: Andrés Rodríguez · Comunicação e Marketing, MSC Espanha e Portugal · [email protected] 

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